Coisas fofas fazer para o seu namorado para Dia dos Namorados

DREAMWAVE

2019.05.23 07:52 jwachowski DREAMWAVE

Um barquinho navegando sem rumo nas calçadas entupidas de saudade. Cai num bueiro onde desagua na imensidão das coisas que se esquece durante o dia. Vai tateando pelas paredes de uma caverna rosa e úmida como as paredes do quarto que futuramente irá preencher as lacunas da memória vazia.
O barco sobe uma cachoeira e lembra de quando era apenas um pedaço de pau sem forma, onde os namorados vinham fazer juras de amor eterno, tomados de paixão. Onde os pássaros vinham fazer seus ninhos e cantar chamando um ao outro para voar até cansar e depois descansar nos fios de alta tensão.
O barco segue o rio das águas que ainda vão passar. Um boto sobe, vira homem e assume os remos. Vai seguindo em direção ao farol de luz neon. Ao chegar na ilha vazia, sobe a espiral sem cansar sem parar sem olhar para trás sem saber sem pensar sem nem ao menos cogitar onde tudo vai dar.
A porta abre sem ele tocar as mãos. Entra porta adentro ficando cego com o clarão. Sai na lua. Pula na lua sem gravidade, desce devagarzinho e deita entre duas pequenas montanhas por onde passa o rio das coisas que só acontecem nos sonhos.
Mergulha no rio de cabeça. Bebe da água daquele rio. Se afoga e depois volta a superfície renovado. Enche uma garrafinha de coca cola com água da lua. Em pé, vê a terra lá de cima e se joga no espaço infinito em direção a Gaia.
Na estratosfera se torna uma bola de fogo e sem perder tempo rasga o véu do esquecimento e da mediocridade. Mergulha com toda a vontade no oceano que o recebe de braços abertos. Surfa num tsunami de desejos e vontades não tão verdadeiras mas que talvez possam ser. Não importa não, apenas curte a onda que já vai acabar. Urge viver, urge amar.
O sol seca seu corpo estirado na areia fofa e macia que lembra as montanhas lunares. Seu corpo evapora aos poucos sorridente enquanto bebe a água que trouxe da lua, matando sua sede de ser uma canção da Sade. Vira vapor que se espalha na atmosfera dos textos de um escritor que tenta não escrever sobre ela em vão. Vira vapor e chove na janela dela enquanto faz sol numa tarde de verão.
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